Quarta-feira, Mar�o 17, 2010

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S�bado, Mar�o 13, 2010

Bullying e ... mais o qu� ?

Com tudo o que tem vindo a ser e n�o ser dito em rela��o ao caso do pequeno Leandro, que se afogou no Rio Tua, em Mirandela, supostamente em repres�lia por pr�ticas menos decentes por parte dos colegas da escola, que lhe ter�o gerado transtornos de forma t�o graves que o levaram a optar pela pior das solu��es - o suic�dio - eu queria deixar aqui a minha opini�o pessoal em rela��o a este tema, que � caro para mim.
Eu tamb�m fui alvo destas pr�ticas quando era mi�do e, nessa altura, o termo bullying ainda n�o estava em voga ou ainda n�o tinha sido inventado, e lembro-me de como era, normalmente um colega de turma que n�o tinha notas muito famosas ou deveria ter um mau ambiente familiar largava a sua frustra��o no mi�do mais indefens�vel do grupo - eu. Fui alvo destas brincadeiras indecentes desde 10 at� aos 14 anos e, na maior parte das vezes, os praticantes do bullying eram quase sempre do mesmo cariz - rapazes a quem a escola n�o lhes dizia grande coisa e que acabavam por desistir dos estudos mais tarde ou mais cedo. Eu, como nunca fui fisicamente muito dotado, socorria-me de pr�ticas de "guerra psicol�gico", como por exemplo, fazer uma lista que eu alcunhava queridamente de "Lista Negra" e, por cada abuso de que era alvo, ia fazendo um risquinho, para, quando, ultrapassasse um determinado valor cr�tico, vamos dizer, talvez, 10 abusos, eu iria denunciar o colega menos simp�tico junto das autoridades da escola. Outras vezes tinha de usar t�cnicas de dissuas�o mais directa como por exemplo uma vez que cheguei a amea�ar p�r veneno para as formigas na comida de algu�m me andava a chatear demasiado. Passado ao 10� ano, j� tive oportunidade de ter colegas mais motivados com os estudos e, assim sendo, j� n�o fui tantas vezes abordado por esta gente menos querida. Mas mesmo assim, no 11� ano, havia uns fulanos que me insistiam nas salas de aula, nas cadeiras mais para tr�s, de sussurrar o meu nome em voz muito baixinha, n�o sabendo eu com que intuito seria, de querer algum favor da minha ou simplesmente revelar uma personalidade mais inst�vel. Mas a hist�ria repetia-se sempre: o bully (vamos chamar assim o sujeito activo do bullying, aquele que violenta o mais fraco) tinha sempre maus resultados, n�o que isso me desse um certo gozo de vingan�a, mas a hist�ria era sempre a mesma - algu�m com uma personalidade pouco consolidada, que desancava as frustra��es em algu�m com menos capacidades de se defender.
At� com 22 anos, na Universidade, voltei a ser alvo destas tretas e pensava eu que j� tinha idade suficiente para estar rodeado de colegas com ju�zo. Engano meu, pois a idade mental m�dia dos alunos que chegam ao 1� ano dos cursos parece continuar a ser a de um adolescente trapalh�o, algo que eu, definitivamente, j� n�o era.
Se algu�m que estiver a ler estas linhas me conhece pessoalmente e que participou nestes epis�dios da(s) minhas/nossas inf�ncia(s) sinta alguma nostalgia em me querer voltar a praticar bullying - tenha cuidado, porque eu agora ando a frequentar muscula��o em gin�sio empenhado em querer resolver estas situa��es logo de in�cio. E, para mais, pode ficar descansado, porque eu n�o vou revelar o nome dos bullies que me andaram a fazer a vida negra j� h� mais de uma dezena de anos. Enfim, coisas do passado... mas infelizmente crian�as continuam a haver e enquanto houver mi�dos, ir� sempre continuar a haver bullying. Quando eu tiver oportunidade de ser pai, ai de algum menino que se queira armar em bully para com um dos meus filhos, vai ser logo recambiado !

Sexta-feira, Fevereiro 26, 2010

Este estranho fado...

Numa altura em que vou ter de encontrar novas coordenadas para a minha vida pessoal, dou por mim a escutar os melhores exemplares desse estilo musical que s� existe c�, e que se chama fado. N�o gosto de abusar dos fados coimbr�es, extremamente melanc�licos, porque sen�o sinto a minha alma a esmorecer. Mas, por vezes, � mesmo necess�rio !
Por detr�s de figuras de vulto como Am�lia ou Carlos Paredes, qual ser� a raz�o para s� em Portugal existir este estilo musical !?
Muitos das nossas grandes figuras liter�rias, desde Cam�es e principalmente Pessoa, sempre se interrogaram, na procura de uma defini��o do ser portugu�s. � um facto que somos um povo com uma identidade cultural extremamente forte, amadurecida ao longo dos nossos quase 800 anos de hist�ria. Ao contr�rio dos nossos vizinhos espanh�is, que na realidade se sentem mais andaluzes, galegos ou bascos do que propriamente "espanh�is", n�s tugas, andamos �s vezes em batatadas e brigas de bairro Norte/Sul, ou do Continente contra as ilhas, mas que n�o passam disso mesmo, apenas simples demonstra��es de for�a sem inten��o verdadeira de magoar, mas acabamos por amar-nos todos uns aos outros,e se calhar foi isso que se calhar impediu o derramamento de sangue no 25 de Abril de 1974.
Mas estou a dispersar-me do assunto que me levou a querer iniciar esta publica��o: o que nos leva, portugueses, a evocar momentos tristes de forma t�o bela e espirituosa. Ser� a nossa linguagem ? Temos tanta hist�ria, uma hist�ria de 800 anos, mas ser� realmente mais pontuada por momentos tr�gico/dram�ticos do que felizes ? � por isso que cinco oitavos da nossa bandeira s�o da cor de sangue, para evocar essas trag�dias ? J� nos demos ao luxo de dividir o mundo ao meio, com os espanh�is, mas actualmente volt�mos ao nosso cantinho � beira-mar plantando, mantendo apenas as ilhas da Madeira e A�ores como nossas como �nicos vest�gios da nossa fase �pica. A afirma��o da portugalidade ter� de ser feita atrav�s da nossa l�ngua, que est� no "top ten" das l�nguas mais faladas em todo o mundo!
Parecemos estranhamente fadados a que os nossos momentos de felicidade sejam de extrema curta dura��o, porque tivemos o p�ssaro na m�o e deix�-mo-lo fugir, no s�culo XVI, se calhar porque nunca fomos muitos em n� de habitantes. Mas apesar disso, estivemos em todo o lado, atingimos o Brasil, a �ndia, a Indon�sia, China, Jap�o e ro��mos a Austr�lia. Mas �ramos poucos para poder manter tanto territ�rio na nossa posse. N�o quero ser profeta do "Quinto Imp�rio", como Pessoa, mas realmente, este sentimento de pessimismo (ou de autocomisera��o nacional, como lhe prefiro chamar), � praticamente gen�tico. Estamos sempre a falar mal uns dos outros e de n�s pr�prios, e a rebaixar-nos perante as outras na��es, a copiar o que invejamos nos outros povos, desde o n�vel de vida dos escandinavos at� ao samba brasileiro, ou mais recentemente, o Halloween dos povos angl�fonos. Tudo corre mal, e vai sempre no mau caminho, e os momentos de felicidade deste pa�s s�o sempre muito curtos, tal como o pequeno empurr�o que a entrada na CEE a partir de meados da d�cada de 8o, pautado pelos governos do senhor que agora � inquilino do Pal�cio de Bel�m. O facto do territ�rio conquistado aos mouros desde Afonso Henriques at� ao seu bisneto Afonso III na Pen�nsula parecer n�o ter sido suficiente para nos conter a todos como pessoas, como � nossa vontade, parece nos ter predestinado para sermos um povo de constante emigra��o. N�o temos muitos recursos naturais, como ouro, o verdadeiro de nome e o negro, que h� de muito noutras paragens, mas temos muitos outros recursos, talvez a vontade de n�o querermos deixar-nos vergar por este nosso estranho Fado, e de mostrar ao mundo que, afinal, depois de 800 anos, ainda aqui estamos, para levar e durar.
Vaiam por mim, experimentem: fado Tag Radio .

Sexta-feira, Fevereiro 19, 2010

Limpar Portugal

N�o costumo muito fazer an�ncios a campanhas aqui, no meu blog, mas s� por esta ser uma causa que eu acho especial, acho que merece uma refer�ncia muito especial, de forma que merece aqui uma chamada de aten��o. Trata-se da campanha "Limpar Portugal", que vai ter lugar em todo o mundo daqui a um m�s, no dia 20 de Mar�o. O que � necess�rio para juntar a este movimento � simplesmente for�a de vontade para concretizar um desejo, que � o de ver o espa�o que todos n�s partilhamos, a nossa rua, os jardins da nossa terra, as praias do nosso concelho, em suma, todos os belos espa�os da nossa regi�o, de forma a que possamos sentir-mo-nos orgulhosos de que estes maravilhosos espa�os se encontram bem tratados! E, como ficou anteriormente real�ado, a �nica coisa que � necess�rio � for�a de vontade em ajudar ! Todos s�o bem vindos! N�o se trata de tirarmos o trabalho a todos os varredores municipais, mas a vontade de demonstrarmos que, por grandes causas, somos capazes de mostrar uni�o para estarmos � altura. Eu vou l� estar, no dia 20, com a malta da minha terra, Cabanas de Tavira, para ajudar no que for preciso. A todos aqueles que pretendam aderir, inscrevam-se na rede do vosso concelho: http://www.limparportugal.org/ NOTA: para os habitantes de Cabanas de Tavira juntem-se ao grupo do Facebook .

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Ter�a-feira, Fevereiro 02, 2010

Uma igreja "sui generis"

Uma vez que n�o encontro outro assunto para falar, decidi voltar a escrever mais um artigo neste blog dedicado � igreja que enfeita a vista da minha casa. Esta igreja chama-se "Igreja da Mem�ria". Normalmente era de esperar que fosse uma igreja dedicada a um santo qualquer. Mas n�o, esta igreja n�o � dedicada nenhum santo, nem sequer a nenhuma "Nossa Senhora da Mem�ria", nem nada do g�nero. Eu quando era mi�do, pensava que era condi��o "sine qua non" para que fosse erigida uma igreja num lugar qualquer, que a Nossa Senhora ou outro santo qualquer, tivesse operado um milagre qualquer naquele s�tio, para isso servir de raz�o para se poder erguer l� depois nesse s�tio uma igreja dedicada ao santo autor do milagre. Mas n�o, a Igreja da Mem�ria n�o foi edificada para celebrar qualquer esp�cie de milagre feito por qualquer santo que fosse ! A hist�ria por tr�s da sua edifica��o � uma hist�ria bem terrena, e tr�gica e sangrenta: a execu��o da fam�lia T�vora durante o tempo em que as r�deas deste pa�s estavam entregues a um senhor chamado Sebasti�o Jos� de Carvalho e Mello, mais conhecido nos livros de Hist�ria por "Marqu�s de Pombal". N�o vou estar aqui a recontar a trag�dia dos T�vora, que pode ser f�cilmente contada por qualquer site que venha nos resultados a uma pesquisa no Google por "T�vora". A igreja teria sido, supostamente, edificada para relembrar este epis�dio triste da nossa hist�ria. E o homem que l� descansa eternamente tamb�m n�o � nenhum santo: � o pr�prio marqu�s de Pombal ! Este homem, depois dos servi�os prestados ao nosso pa�s ap�s o grande terramoto de 1755, foi perseguido e espoliado ap�s a morte de D. Jos�, mas a hist�ria acabou por lhe fazer justi�a - mas mesmo assim a igreja foi considerada "maldita" pelo regime fundamentalista cat�lico do Estado Novo, uma vez que esteve excomungada at� pouco depois do 25 de Abril de 1974. Para mim pr�prio foi uma surpresa, saber que um edif�cio religioso pode ele pr�prio ser excomungado, n�o apenas uma pessoa ! De resto, e uma pessoa que n�o conhe�a a igreja pensa que est� na presen�a da Bas�lica da Estrela, pois esta igreja da mem�ria � encimada por uma c�pula, se bem que mais pequena, ao estilo neocl�ssico da dita bas�lica. Penso que deveria haver igrejas para celebrar outros acontecimentos que pouco ou nada tenham a ver com a religi�o - uma igreja para os mortos da Guerra do Ultramar, porque n�o !? Tamb�m seria uma bela "Igreja da Mem�ria" ! Mas j� existe o monumento aos mortos do Ultramar no forte do Bom Sucesso ! Ser� sempre necess�rio ter de haver sempre um milagre, uma coisa de "outro mundo" como motivo para construir uma igreja !? N�o pode mesmo ser uma hist�ria decorrida neste triste humano imperfeito e imoral, onde todos os dias os seres humanos cometem erros balbuciantes, um motivo nobre para celebrar a constru��o de uma igreja !? Sim, mas � verdade: que mal � que os T�voras quiseram fazer ao Marqu�s e a o seu rei, para merecerem serem executados em pra�a p�blica, mas pelo menos ainda tiveram direito a que lhes fosse erigida uma igreja em sua mem�ria, coisa que mais nenhum normal condenado � morte teria direito! N�o ser� isso uma raz�o v�lida para ter mandado construir a igreja, ser� que, secretamente, o Marqu�s ou D.Jos�, deram conta que cometeram um terr�vel erro com os T�vora, e ainda lhes erigiram a igreja como forma de arrependimento !? Se for, n�o � isso que figura nos livros de hist�ria !

Segunda-feira, Janeiro 11, 2010

Um assalto sem gosto, mas com sabor a ovo cozido!

20h do dia de sexta-feira, dia 8 de Janeiro de 2010. �rea de Servi�o de Alcochete, lado Sul. Beto Fura-Corsas est� � cota no seu esconderijo dentro da esta��o de servi�o que chegue mais um exemplar de um Corsa que seja a sua pr�xima v�tima. Ele come�ou esta carreira j� h� uns quantos anos e tem beneficiado do facto do Opel Corsa ser dos modelos carros preferidos pelos portugueses. Gra�as a isso j� roubou mais de 50 Corsas desde 2006. Basta uma chave de parafusos e um martelo e o golpe no ponto certo para aproveitar uma falha no mecanismo de fecho do carro para destrancar imediatamente o carro. Est� cada vez mais aperfei�oado na sua t�cnica de tal forma que em um ou dois segundos d� o golpe com a quantidade de for�a suficiente para fazer o furo na chassis da porta e destrancar um Corsa. Chega ent�o o momento. Apesar do frio, Beto Fura-Corsas v� chegar um Corsa dentro da esta��o de servi�o. Este � cinzento-met�lico e � de 2003 ! Perfeito ! � dos mais antigos que ainda n�o mudaram os fechos de acordo com o novo sistema. O dono do carro estaciona-o em frente � esta��o de servi�o e vai para o restaurante. Eis chegado o momento, Beto aproxima-se do Corsa e v� que tem algo a brilhar l� dentro que o distrai inicialmente � medida que se vai aproximando da sua pr�xima v�tima. Quando chega mais perto v� que se trata de um aparelho de GPS montado no vidro. "Bah !" Pensa Beto Fura-Corsas, n�o preciso de GPS's para nada. "N�o � isso que quero e j� roubei uns quantos, e a malta receptadora dos roubos j� tem montes deles." Aproxima-se e v� que o dono do carro, porventura mais faminto que outra coisa, tamb�m deixou o auto-r�dio com o painel destac�vel no s�tio. "Mas tamb�m n�o � isso que eu quero" - pensa Beto Fura-Corsas. Chega ent�o mesmo junto do carro, olha l� para dentro e, apesar da fraca ilumina��o do interior do carro, encontra finalmente algo que lhe interessa - uma mochila grande e recheada porventura de pertences pessoais incluindo, entre outras coisas, de dinheiro ! Eis ent�o chegado o momento : Beto Fura-Corsas aplica o golpe com a chave de parafusos e o Martelo e pumba, o fecho cede e s� carregar na abertura no fecho e j� est� ! Entra dentro do carro, tira a mochila em menos de nada. Beto FuraCorsas tornou-se t�o ex�mio que consegue fazer tudo em menos de dez segundos. Novo recorde. Pensa ele. E a mochila ainda por cima � pesada! Deve ter mta coisa l� dentro de jeito. E, contente com a sua fa�anha, retira-se para um local rec�ndito da esta��o de servi�o. Entretanto, o dono do Corsa, j� saciado da fome, regressa e repara que que o carro ficou destrancado ! "Pah, devo ter-me esquecido em tranc�-lo." T� escuro e s� pensa p�r o carro a trabalhar sem dar por nada que lhe falta e que neste momento j� n�o est� na sua posse, mas sim que se encontra a ser aberto pelo nosso amigo Beto Fura Corsas, nas traseiras da esta��o de servi�o: ao abrir a mochila, Uma Nike cinzento e preta, apercebe-se que o �nico conte�do desta � um tupper-ware azul meio transparente e uma pasta de pap�is com papelada como facturas de m�dico e pap�is de seguro. Mas nada, nada de dinheiro ! Ainda v� que, juntamente com os pap�is se encontra l� um livro que ainda por cima t� escrito em ingl�s intitulado The meme machine , mas nada que seja de valor para o nosso amigo Beto Fura-Corsas. Se ainda ao menos fosse a Playboy ! J� aborrecido com o logro que foi que n�o deu em nada, abre o tupper-ware � procura quem sabe de alguma coisa que seja de interesse e v� que l� dentro tem um saquinho de papel que parece ter qualquer coisa dentro: ele puxa-a para fora e v� que � um ovo cozido ! Nos compartimentos laterais da mochila, j� irritado por n�o ter conseguido nada de jeito, s� encontra um saquito roxo com objectos de higiene bucal do assaltado, que al�m da escova e pasta de dentes, soma-se gel para aftas e stick contra gretas labiais (o vulgo "cieiro"). Mais encontra s� uma bolsa para �culos. Se calhar tem aqui uns �culos escuros da Vogue, pensa, finalmente qualquer coisa de jeito, pensa para si para lhe aliviar o desespero que o vai invadindo aos poucos. Mas n�o, a bolsa t� vazia. "Meeerrdda !!!! F***** !!!! - Beto Fura-Corsas d� um berro de desespero que por pouco denuncia a sua presen�a dentro da esta��o de servi�o por ter assaltado um carro e levado a mochila sem nada de valor. E o carro que ele ainda podia ir tirar o GPS e autor�dio j� se tinha posto a milhas! Mais nada a fazer. E atira com a mochila e todos os objectos encontrados para os caixotes de lixo da esta��o de servi�o ! Tanto trabalho no meio do frio cortante do m�s de Janeiro para obter ao menos umas massas para comprar umas mortalhas para enrolar chamon. E agora, nem isso ! Bah, da pr�xima vez, levo tudo, GPS, auto-r�dio inclu�do, que era o que eu devia ter levado! Quanto ao dono do Opel Corsa, j� a caminho do algarve, ainda n�o se apercebeu que lhe falta um objecto pessoal dentro do carro. S� ao parar na �rea de servi�o de Alc�cer de Sal repara que lhe falta a mochila da Nike! "Deve ter ficado esquecida no local de trabalho, no Tagus Parque." Quando regressar na segunda-feira, devo l� reencontr�-la de certeza, com o ovo cozido que n�o tinha sido comido no almo�o e que tinha decidido deixar l� dentro do tupper-ware para quando pudesse voltar a ter fome. Mas n�o, ao chegar a casa do amigo Z� no Algarve, repara que tem um buraco junto do fecho da porta do condutor e que a chave, metida na fechadura j� n�o funciona. S� o fecho autom�tico agora consegue trancar e destrancar as portas do carro. Chegaram a este ponto da hist�ria ainda sem saber quem era o dono do Opel Corsa que foi assaltado pelo nosso amigo Beto Fura-Corsas ? Ent�o eu digo-lhes quem foi : eu ! Pois � , tive muita sorte em s� me terem levado uma mochila da Nike sem nada de muito importante l� dentro, mas vou sentir a falta da mochila da Nike, porque ela tinha sido a minha companheira insepar�vel nas minhas �ltimas jornadas da rota da costa. Nunca mais vou voltar a v�-la, perdida, agora, como est�, na lixeira da esta��o de servi�o de Alcochete Sul. E tamb�m nunca mais vou ter oportunidade de acabar de ler o meu querido livro The Meme Machine, que estava a gostar tanto! Vou tamb�m sentir a falta do meu saquito de higiene bucal com a escova dos dentes e a pasta. Uma Colgate maravilhosa ! Vai-me faltar o meu stick contra gretas labiais, mas que se lixe: compro outro, que � o mesmo que vou fazer para o gel para as aftas. Isso tamb�m se compra semp problemas numa para-farm�cia ! A bolsa dos �culos � que � pena, porque eu estava a us�-la para guardar umas capas escuras anti-sol que se encaixam num �culos. Essas devem ter ido de vez. Bem, e chega por hoje , vou mas � dormir !

Domingo, Dezembro 13, 2009

"The heavens should be simple, but they're not!"

� a introdu��o do trailer do filme "�gora", a que fiz alus�o no post anterior. Tive oportunidade de assistir este �ltimo s�bado, � tarde, no Cinemacity de Alfragide, por volta das 16h da tarde. Um filme agrad�vel, ao estilo da nova linha de filmes hist�ricos cuja s�rie foi iniciada pelo "O Gladiador". Apesar de n�o ser uma hist�ria rocambolesca, ao estilo deste �ltimo, este � um filme com uma mensagem bastante simples e directa - qualquer fundamentalismo, provindo de qualquer religi�o que seja, � sempre extremamente prejudicial para a conviv�ncia - e isto numa �poca (fim do s�culo III, in�cio do s�c. IV d.C.) em que o Islamismo ainda nem exisitia - entre religi�es, numa cidade, que assistia ao legado de uma cultura em extin��o - a hel�nica, representada pela famosa Biblioteca, e a nova religi�o em franca expans�o - o Cristianismo. E no meio disto tudo, � a cultura em clara extin��o - a Hel�nica (alcunhada de "Paganismo" pelos crist�os) que possui o esclarecimento de empreender o questionamento e o confronto do saber com a realidade como a de desenvolver um modelo para entender o Universo em que vivemos. No centro dessa medita��o para melhor entender a realidade existe uma mulher - Hip�tia, que, dividida entre manter o antigo saber acumulado durante s�culos em papiros na antiga biblioteca e as novas confiss�es em pleno crescendo, tenta sobreviver a todo o custo contra os "ventos da Hist�ria" que condenavam a filosofia e a tradi��o helen�stica, trazidos por Alexandre o Grande durante as suas grandes conquistas. N�o posso falar do trabalho do realizador Alejandro Amen�bar porque o desconhe�o em grande parte, mas o seu trabalho impressionou-me bastante, principalmente naquela parte de mostrar qu�o rid�culos e mesquinhos s�o os nossos conflitos, vistos a uma escala planet�ria, como se v� na met�fora em que os humanos s�o comparados a formigas. Recomendo bastante este filme, principalmente para quem gosta do estilo da Fic��o Hist�rica, que � bastante creditado gra�as a este filme.